quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Se (des)encontra

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Você sai e bate a porta.

Existe um coração cheio de incertezas sobre a vida adiante, mais uma certeza que se apresentou à sua frente, após estapeá-la até implorar por compaixão. Ele não é pra você. Não agora, talvez um dia, ou nunca. Não vai esperá-lo, pois  foram tantas as vezes que se esbarraram na rua, faculdade, naquela balada vazia de sexta à noite após um longo dia em frente ao computador no serviço; a badalação que lhe proporcionaria relaxar ao som de umas músicas que você nem ao menos gosta, ou aquela pela qual é apaixonada. E ele iria chegar e te pagar uma bebida, ou então conversar por um tempo e dizer que faria a noite na pista valer a pena. No dia seguinte você mandaria mensagem e depois de tantas vezes observar a última visualização receberia: “Alice da onde?”. Tapa na cara, black out no coração.
Ele é o cara que te conquista com o olhar, com o jeito manso de se chegar. Aquela voz no pé do ouvido dizendo tudo o que você, no fundo, sonha em ouvir desde que sonhou com o amor ao vê-lo pela primeira vez num filme meloso qualquer. Ele te pega pela cintura e leva até o meio da pista. Não existe mais o momento em que você passa o braço envolta do pescoço dele, deita em seu ombro e vocês movimentam-se devagar ao ritmo de uma balada romântica. Isso é passado, inadequado, “careta”, como o ouviu dizer quando comentou seu breve devaneio numa noite qualquer. Existe a música agitada que os fazem sorrir olhando um para o outro num puro jogo de sedução enquanto se balançam para lá e pra cá no meio da multidão. Você está descarregando seu cansaço, buscando euforia, quer deixar suas horas em casa escorregarem no balcão do bar e na pista. O que vale a pena afinal?
E então você para, e a questão de que ele pode ser o homem da sua vida não quer calar. E você deixa que ele seja seu durante aquela festa, e você dele. Vez ou outra ele diz que vai ao banheiro, ou buscar uma bebida para vocês. Ele volta e diz que esqueceu no balcão, e você tomada por aqueles olhos que refletem o futuro, balança a cabeça e o deixa sair novamente, voltando com um sorrisinho malicioso portando uma bebida qualquer que pediu para o cara do bar escolher. Bom, ao menos ele pagou a comanda da desculpa esfarrapada.
Você o vê no corredor da faculdade, ele acena e você entra na sala. O professor fala enquanto você imagina o final de semana prometido nas mensagens da manhã. Mas a promessa daquele filme não é cumprida, e o final de semana em boa (má) companhia não chega. E você percebe que matou aula inconscientemente imaginando algo não sólido, culpa sua? Não, de ambos. Os dois que não deixaram claro o que acontecia ali, e talvez tenha desgastado todo aquele quase que consiste em dois silêncios. Se houvesse conversa, sim, ele diria que era curtição, e você sairia fora, porque se quisesse algo passageiro, ficaria com aquele da balada que nunca mais veria na vida, que se aproximou quando ele saiu para pegar uma bebida.

Brunna Correia é paulistana, web designer e futura jornalista (ou roteirista). Ama a escrita, é autora do blog Brutwos e colaboradora do blog Papel, palavra, coração. 

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