quarta-feira, 2 de novembro de 2016

De onde estiver

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Começo a escrever dizendo que sim, eu sorri. O vidro do carro abaixou e o vento entrou pela janela, inundando o ar com a brisa gélida e reconfortante da maresia, e o cheiro da praia me fazia sentir como se nada mais importasse, nada mais machucasse.

A vida passa pelos nossos olhos e em demasia somos tão incapazes de nota-la, pior, incapazes de manuseá-la. Tão frágil, rápida e sorrateira. Deixamos escapar entre nossos dedos ligeiramente sem perceber por tanto tempo, anestesiados pela rotina desse cotidiano que castiga, força a criar expectativas e vontades que nunca tivemos afinal, mas que um quê ali e um quê aqui nos influencia a ter, e em momentos perdidos por ai, a intensidade assusta. No final, o que sobra é a realidade batendo a porta e nos questionando onde estamos, e os sonhos nos cobrando o que fazíamos que os deixamos esperando naquela mesa de café no nosso primeiro encontro.

Eu queria ter o controle, queria ver quando bem entendesse. Mas não. Por ai caminham eles, elas, você, que como eu, precisa que algo caia e estronde tão intensamente para que a realidade apareça, para que a vista desembace e veja o que realmente está se passando; onde está de fato a palavra felicidade, onde se deve concentrar tanta energia. Energia é tão preciosa, precisamos saber deposita-la. 

Enquanto o vento dava de encontro ao meu rosto e fazia os fios do meu cabelo debater-se contra meu rosto eu senti. Você me olhava de longe, bem ali onde gostava de sentar-se e ver o mar beijar a areia. O lugar que te fazia sentir-se livre de toda a rotina, onde colocava-se a pensar sempre que as coisas ficavam difíceis, de onde me fazia suas ligações e dizia que precisava da minha companhia para apreciar aquele espetáculo gratuito que era a natureza: "Olha, Bela, que bonito, e nem precisamos pagar pra ver. Eu poderia ficar aqui pra sempre."

E você ficou. 

E é hora de ir atrás. É tempo de sonhar, viver e fazer acontecer. Assim como você me ensinou. Dores são passageiras, e como já li por ai, às vezes é preciso ser sentida: ela também ensina. E de onde estiver agora, obrigada.

Ass. Sua bela.



Brunna Correia é paulistana, web designer e futura jornalista (ou roteirista). Ama a escrita, é autora do blog Brutwos e colaboradora do blog Papel, palavra, coração. 

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