sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Entre chegadas e partidas.

6 Comentários

      Há quem lide muito bem com ela. Gente que entende por que ela vem ou se conforme com seu quê de inevitável. Há quem tenha medo dela. Gente que nem gosta de falar do assunto. Eu tô falando da morte, pela primeira vez.
      Lembro bem da noite em que, pela primeira vez, tive de lidar com a tal. Eu devia ter uns oito anos quando vi minha família triste e as cartas que eu havia enviado a uma tia que estava internada, de volta em casa, em cima da mesa, junto de outros papéis. 
      Aquela noite foi longa. Alguns tios saindo, minha avó calada, minha mãe chorando. Mas foi no dia seguinte, na escola, que entendi a dinâmica da vida. 
      Era quase recreio quando ouvi uma amiguinha contar para a professora que um bebê havia nascido em sua família na noite anterior. Via sua alegria contrastando a minha tristeza enquanto tentava entender como aquilo tudo podia acontecer ao mesmo tempo. 
      Lembro exatamente do que senti naquele momento. Era como se a vida se explicasse pra mim entre chegadas e partidas. Gente que chega, gente que vai. Vida que segue, como dizem. 
      Um dia desses, vinte anos depois dessa perda, mais uma vez me vi diante do paradoxo. Numa manhã comum, lia perplexa frente a tela do computador, um texto triste de um blog cujo a autora havia falecido. Ela sabia que estava doente e deixou a despedida pronta com alguém que confiava sua senha. Momentos depois, recebi um telefonema de uma prima dando a notícia: haveria em breve gente nova na família. Ela estava grávida. E tudo voltou a ser leve.
      Voltei em pensamento àquele dia, na escola. A história se repetia. Gente chegando, chegando partindo. E tudo em volta seguindo seu fluxo habitual. Nada parando pra chorar a nossa dor ou sorrir nossas alegrias. Ainda que a morte aconteça pelas mais variadas e incompreensíveis razões. Ainda que a vida cintile como um milagre digno de ser agradecido diariamente. 
      Penso que o poeta tinha razão. "A vida é a arte do encontro, embora haja tanto desencontro pela vida."  
      Vinícius de Moraes soube bem traduzir o grande baile. Entre quem chega e quem parte há alegrias e tristezas, ganhos e perdas, certezas e embaraços. Inícios, términos e recomeços. Feios ou bonitos. Simultâneos, com certeza.  
      E se não há como prever ou evitar a última música, que vivamos a tal arte do encontro da melhor maneira. Erremos a melodia, esqueçamos das marcações. Mas que nessa dança de encontros e despedidas, seja de esperança o passo nunca esquecido.

6 comentários:

  1. Lindo Yohana!!!
    Tive muitas perdas nos últimos anos... uma dinâmica que nem sempre conseguimos entender, que é triste... mas a vida é só uma passagem... por isso temos que aproveita-la ao máximo!
    bjs

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  2. Sublime! Ninguém até conseguiu lidar com as partidas..
    Beijo

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  3. LES VISITO DE EL SALVADOR, DESDE MI BLOG www.creeenjesusyserassalvo.blogspot.com
    RECIBAN MUCHAS BENDICIONES

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  4. Ha isso pra mim de perdas e chegadas não dá certo.

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  5. Meu nome é António Batalha, estive a ver e ler algumas coisas de seu blog, achei-o muito bom, e espero vir aqui mais vezes. Meu desejo é que continue a fazer o seu melhor, dando-nos boas mensagens.
    Tenho um blog Peregrino e servo, se desejar visitar ia deixar-me muito honrado.
    Ps. Se desejar seguir meu blog será uma honra ter voce entre meus amigos virtuais,mas gostaria que não se sinta constrangido a seguir, mas faça-o apenas se desejar, decerto irei retribuir com muito prazer. Siga de forma que possa encontrar o seu blog.
    Deixo a minha benção e muita paz e saúde.

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