sábado, 12 de novembro de 2011

Baú

17 Comentários
 



Acontece com todo mundo. Cedo ou tarde, por bem ou por mal, brandas ou devastadoras, elas vêm.

Às vezes basta uma música, aquela melodia (in)conveniente no ar, um gesto inofensivo ou o calendário anunciando atenção, que nossa mente viaja no tempo, acolhe o pretérito e é tomada sem dó pelo mar de lembranças.

Não há como prever nem prevenir. 

Um cheiro, uma palavra, uma fotografia. Velhas cartas, um silêncio oportuno, um só segundo e elas vêm.

Se boas, renderão sorrisos espontâneos, pensamento distante, aquela nostalgia bem vinda. Se ruins, o aperto no peito roubará a cena. Os olhos se fecharão, vestígios de lamento.

Mas são eles, os culpados. Mente e coração. Cúmplices. Ambos motivando, causando e cuidando. Ambos realizando malabarismos com as lembranças que nos elevam e derrubam do céu.

É como um baú. De surpresas, relíquias e misterios. Lembro que minha avó tinha um em casa. Parecia mágico, um convite a recordação. Vez e outra, remexíamos e redescobríamos momentos e memórias com os guardados ou lembrávamos de denominar intocáveis outros tantos.

Assim também são os sentimentos resgatados com as lembranças. Estão lá, bem no fundo. Parecem esquecidos mas ainda estão lá no fundo do baú que carregamos dentro de nós. 

Algumas despertam conforto outras pesam, machucam. Alguns legitimam a alegria enquanto outros justificam a tristeza. Talvez por isso tantos evitam e desejam livrar-se delas, por medo de sua dualidade. 

Mas não, as lembranças não existem somente pra doer no peito ou enfeitar a memória e o coração de passado bonito. Não é possível viver só das boas e não é preciso reenxergar as más e descartá-las. É tentativa em vão. 

Convém equilibrar o que a memória insiste em conservar. É preciso aprender com as más. Tirar de suas provas e marcas, os aprendizados e fazer das boas lembranças, inspirações diárias pro hoje, pra sempre...

...anotei pra não esquecer.

17 comentários:

  1. Lembrei da caixa de fotos antigas de minha mãe... de como sentava na cama dela e olhava uma por uma, lia o que estava escrito atras... boas lembranças, cheiro de casa, imagem da minha infancia. E lembrei da vez que arrumando papeis, achei bilhetes, telegramas e cartões de meu ex marido... nesse dia chorei horrores. Dois sentimentos distintos, profundos e que julgava esquecidos.

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  2. Que texto mais liiindo! Amei demais, de verdade :) algumas lembranças (boas ou ruins) são eternas, e ficarão para sempre na nossa memória e, sobretudo, coração...
    Beijo e ótimo domingo pra vc
     Just Carol

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  3. Lindo! ^^
    Independente de fotos, as paredes da memória não apaga nada, adorei! ♥

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  4. De quando em vez convém fazer uma limpeza no baú das lembranças e libertar aquelas já apagadinhas.

    Eu recomendo.

    Um beijo, Yohana. Belo texto.

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  5. Sou assim com músicas... às vezes coloco de propósito músicas que me lembram coisas boas, só pra poder reviver um pouquinho da época... é ótimo e seu texto está uma delícia!

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  6. Aii que delícia ler tudo isso e junto vir váarias recordações de infância,amizades e momentos em família .Me remeteu àquela época ,junto com músicas,brincadeiras e sorrisos ...tão sincero,tão mágico .
    Lindo, lindo texto !
    Beeijos

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  7. Lindo texto moça bonita,

    eu prefiro aquelas lembranças que nos fazem chorar de emoção e querer reviver tudo de novo.

    Beeijo

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  8. oi Yohana, conheci seu blog lá da comunidade do FB. Já tô seguindo o blog ;) A gente estava em "sintonia"....rs...Veja só este post que fiz dia 10
    http://mulheresmaes.blogspot.com/2011/11/mulheres-maes-viagem-da-vida-aliviando.html
    É inevitável, não é mesmo. A hora de abrir o baú, malas, bagagens, sempre chega.
    Bjos e passa por lá quando quiser.
    DriSouto

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  9. Bom dia,Yohana!Recordar é viver,já diz a sabedoria popular, precisamos aprender com os erros, relembrar os bons momentos e como tu mesma disse aprender com os erros,essa creio que seja a lição mais difícil,não insistir em cometer os mesmos erros.
    Beijosss

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  10. há momentos em que o homem parece filho do fado, numa relação com a nostalgia. será possível viver, apenas, da memória?
    ai, as músicas são cada uma das linhas que se nos inscrevem nas mãos!
    beijinho!

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  11. Queimar etapas


    Às vezes você deve se perguntar:

    Por que Deus é tão duro comigo em certas situações? Por que ele me obriga a passa por tantos tormentos?

    Você se julga uma pessoa de bem, que não merecia certas coisas impostas pela divindade e fica um pouco descrente, não é mesmo?

    Deus não faria você passar por isso se soubesse que você não resistiria. Ele às vezes é rigoroso e duro apenas para nos tornar maleáveis e prontos para a vida.

    Você não pode se fazer de vítima e aceitar com resignação os sofrimentos, como fazem os fanáticos religiosos. Deus exige obediência, é verdade, mas há momentos em que ele quer sua ação e seu desprendimento para você entender os mistérios e vencer os sofrimentos.

    Levante agora e vá provar que todos os problemas que já passou tiveram um sentido e uma razão para lhe fossem impostos. Se novas correntezas do rio de problemas surgirem, não se deixe mais ser arrastado para o mar morto das desilusões, mas também não fuja dessa travessia, como fazem os covardes, que não correm o risco necessário e ficam por aí numa vida medíocre e limitada, falando que estava escrito, que era uma missão a ser cumprida.

    Definitivamente, não aja como um covarde. As coisas que aconteceram, já
    aconteceram e pronto. A partir daí, esqueça o medo que ela te provoca e de início a uma nova vida. Não se faça de coitadinho.

    Você jamais apagará de seu coração certas dores, eu bem sei, porque realmente já deve ter perdido muito, mas alegre-se com o que ainda vai encontrar nessa sua nova fase. Daqui a pouco tempo, o saldo de seus ganhos será tanto que você não mais importará ou, sequer, lembrará que um dia já perdeu algo.

    Deus só é implacável com aquele que não tem coragem de ousar. É preciso saber quando acaba uma etapa da vida da gente! Quando se caminha para a direção daquilo que realmente se quer, as tristezas e os problemas por mais que nos tentem acompanhar, não conseguem, porque Deus se faz presente nessa travessia necessária para nossa renovação que existe do outro lado da margem.

    O covarde não corre risco e ainda quer impedir quem está à procura da vida verdadeira e da paz e do amor. Deus não quer martírios e resignações. Ele nos deu vida, e vida é estado de atividade.

    Aja!

    Aja com boa intenção e Deus no coração e será arrastado pela correnteza de águas cristalinas que desaguarão no mar vivo onde só existe amor e paixão.

    (do seu novo amigo e leitor)

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  12. Elas vêm, chegam, se acomodam, e ficam latejando,


    Latejam dias e dias a fio, ao acaso, depois serenam... Até que dia desses, um cheiro, uma música, uma palavra, faz o ciclo recomeçar....




    Lindoooooooooooooooooooooooo.


    Tão eu!



    Bjkassssss

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  13. Ah se não fossem as lembranças que guardo. Se não fossem os momentos fotografados com tanto amor...
    Hoje eu vivo voltando no tempo e revivendo momentos.
    Parabéns pelo texto!
    Incrivelmente belo! :D

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  14. Todos nós temos um baú de recordações num breve espaço da alma, e o nosso coração vez ou outra teima em remexe-lo.
    Adoro suas palavras, me ensinam muito.
    Beijos, tenha uma linda semana.

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  15. Lindíssimo Yohana!
    Leve, suave... como as melhores lembranças...

    bjos ;)

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  16. Acho que aqui cabe algumas sementes que guardo e carrego comigo... Um dia desses, peguei meus medos e histórias; minhas culpas e memórias, espalhadas todas no velho chão de minha casa. Um dia, descolei hipocrisias e invejas, raivas e egoísmos, perdas e ocas vitórias, todas presas nos cantos e frestas do meu coração enferrujado. Lavei meus sonhos e planos com bastante água e sabão. Passei um pano nas lembranças a me dar gastura e a me prender no passado doído. Um dia, fiz faxina aqui dentro e tudo ficou mais bonito lá fora. :)

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