sábado, 15 de outubro de 2011

A criança que eu fui.

32 Comentários
Lembro da infância com saudades de arco- íris.
 
Cheiro de merendeira, de boneca moranguinho e de sandália nova, daquelas rosinhas que davam vontade de morder só de sentir o aroma de tutti frutti.

A criança que eu fui guarda cheiro de terra molhada e mato fresco. Gostava do barulho e do gosto de chuva.
Sentava próximo a janela pra vê-la cair e corria quando os relâmpagos apertavam. 

Gostava de brincar na rua, pentear e cortar cabelos de bonecas, cantarolar e inventar músicas e histórias e assistir jaspion e ursinhos carinhosos na televisão.

Tinha a mãe pra contar histórias de cinderela para embalar os sonhos e o pai pra desmistificar histórias de papai noel para acordar pra vida. Não tinha amigos imaginários mas havia um mundo com dinossauros, flores, córregos e aventuras que jurava que existia em algum lugar. 
Ia ao cinema com a espada do he-man na mão. No parque, soltava sorrisos no auto-pista e abraços no pai na roda gigante. No final pedia algodão doce e fazia o charme pelo colo, é claro.

Atrevida e geniosa. A criança que eu fui tinha a resposta na ponta da língua e dava trabalho na hora dos porquês e da clássica febre como sintoma das eternas amidalites. 

Orava nas refeições agradecendo e dizendo o nome de cada alimento que encontrava em seu prato. Mas nem sempre comia "tudinho". Gostava de pipoca e de bala gamadinho.

Não foi mimada de vencer pelo chororô ou por pirraça. Mas tinha o pai pra dizer "pergunte à sua mãe", a mãe pra dizer "pergunte ao seu pai" e a vó pra dizer "sim" sem nem antes perguntar se podia fazer algo.

Brigava na escola porque queria ser a Ariel, ralava os joelhos na rua porque gostava de correr. Corria da bola ao jogar queimada e também no vôlei ou futebol. Não gostava de dançar. Preferia o sossego da platéia.

Tinha bicicleta e patins. Um caderno encapado de azul de bolinhas brancas, um pônei de plástico, um all star cano longo amarelo, uma florzinha que dançava ao sensor de sons, um estojo em formato de piano, e muitos, muitos papéis de carta.

A criança que eu fui gostava de escrever, de lego e de lápis de cor. Desenhava casas e roupas de bonecas mas cresceu e nem lembrou dessas aptidões pra escolher sua profissão.

Quando cresceu, olhou pro mundo aos avessos e viu o quanto foi privilegiada por, mesmo tendo tudo do mais simples, não lhe faltar nada. Do carinho ao teto. Dos cuidados à educação. Tudo suado e batalhado pelos pais. 

Me encontrei com a criança que eu fui essa semana e perguntei se ela gostaria de estar aqui no mundo em que estou. A resposta foi certeira e negativa. 

Disse que não porque lamenta o descaso, o desrespeito, a violência e o medo do tempo presente. 

Prefere morar em cheiros, imagens, sentimentos e memórias. Disse que ficará onde está, resguardada na lembrança e no sonho de um tempo bom até que suas esperanças e direitos parem de ser tratados como brincadeira...de criança.

32 comentários:

  1. ...traigo
    sangre
    de
    la
    tarde
    herida
    en
    la
    mano
    y
    una
    vela
    de
    mi
    corazón
    para
    invitarte
    y
    darte
    este
    alma
    que
    viene
    para
    compartir
    contigo
    tu
    bello
    blog
    con
    un
    ramillete
    de
    oro
    y
    claveles
    dentro...


    desde mis
    HORAS ROTAS
    Y AULA DE PAZ


    COMPARTIENDO ILUSION
    YOHANA

    CON saludos de la luna al
    reflejarse en el mar de la
    poesía...




    ESPERO SEAN DE VUESTRO AGRADO EL POST POETIZADO DE TIFÓN PULP FICTION, ESTALLIDO MAMMA MIA, TOQUE DE CANELA ,STAR WARS, CARROS DE FUEGO, MEMORIAS DE AFRICA , CHAPLIN MONOCULO NOMBRE DE LA ROSA, ALBATROS GLADIATOR, ACEBO CUMBRES BORRASCOSAS, ENEMIGO A LAS PUERTAS, CACHORRO, FANTASMA DE LA OPERA, BLADE RUUNER ,CHOCOLATE Y CREPUSCULO 1 Y2.

    José
    Ramón...

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  2. Adorei o texto! Recordei de minha infância enquanto lia cada parte! Saudades de ser criança!

    Beijos!

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  3. Oi,Yohana!Teus textos são sempre um encanto, ahh que suadades da infância, consegui te imaginar menina com as sandálias com cheirinho de tuti-frutti.
    bom domingo!
    Beijossss

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  4. Recordei de tantas coisas lendo o teu texto, eu também gostava de assistir ursinhos carinhosos,de cinema, chuva.
    Ô epoca boa!
    Texto lindo!


    Beijos

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  5. Nossa senti o cheiro da minha infancia! Quantas recordações de momentos bem vividos encontrei nesse texto maravilhoso!!! É triste que as crianças de hoje não possam viver a verdadeira essência de uma infancia feliz, e vivem presas a um presente de medo por conta de uma violência gratuita que se espalhou por aí.

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  6. Fomos privilegiadas mesmo, nos e que tivemos infância \o/

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  7. Seu texto teve cheiro de inocência e nostalgia. Vontade voltar ao passado e ao mesmo tempo de querer-se agarrar ao presente destas palavras. Simplesmente, como sempre, lindo.

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  8. Lembrar infância é sempre bom né...
    Yohana, por onde você andou, procurei tanto seu blog e não estava achando, mas até que enfim, encontrei-o novamente...
    Beijos, té mais

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  9. Que texto encantador, a infância é algo que nos toca profundamente.
    Beijos.

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  10. Já arrumei o endereço!
    Adoro aki!
    Beijos

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  11. Amei o texto, bem leve, me lembrou minha própria infância xD
    bjus ;*

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  12. Fui ficando mais emocionada a cada parágrafo. e no final... desabei. Lindo, forte e sensível esse texto!

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  13. Eu sempre me perco nas lembranças de minha infância. São tantos momentos que eu tenho vontade de trazer pro hoje! rs É sempre bom sentir a inocência na alma, visitar nossas fantasias, nossos medos ou dúvidas.
    Lindíssimo seu texto.

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  14. Oi amiga, to de volta...hehehehe! Consegui encontrar nesses bares da vida, sentada num cantinho, palida e triste, a minha inspiração.
    Tomava um martine, e fumava um cigarro, nos olhos uma tristeza indolente lhe deixava a face vazia. Um barzinho mais ou menos, onde o cantor alcoolizado de olhos vermelhos cantava, Não se váaaaaa!. Quando ela me viu, do canto dos seus labios vi surgir um quase sorriso sabe? Daqueles que querem ,mais não querem sorrir?...Tirei ela dali, pelas mãos, a levei pra ver o mar, pra voar, pra sentir o gosto doce de um beijo e o sabor ardente dos desejos.
    Aquela mulher que antes parecia farrapos voltou a se iluminar, jogou o copo fora, apagou o cigarro e voltou pra mim. Estamos nós duas lá no Meu Aconchego.
    Te espero, por lá tá?
    Bjos achocolatados

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  15. A criança que eu fui ainda é parte do que sou, e eu gostaria de voltar no tempo e ficar lá pra sempre, pequenina e ingênua, sem o conhecimento de como é o mundo e de como são as pessoas que nele vivem...

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  16. a criança que um dia fomos sempre nos emociona!

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  17. Haverá sempre essa criança dentro de ti querida, te revelando novas emoções!


    Beijos,
    AL

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  18. Lindo! Adorei seu texto, ao mesmo tempo de uma simplicidade e objetividade...
    Beijos!

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  19. Yohanna que texto lindo nossa me lembro de coisas assim na minha infância também muito bom né um ótimo final de semana pra vc bjoss

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  20. Que delícia esse texto, lembrei de mim... Tinha quase tudo igual, mas meu brinquedo preferido era uma máquina de escrever, onde eu fazia gibi com meu irmão... rsrsrs ai que tempo bom... Obrigada por me trazer de volta.
    Beijinhos!

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  21. Ah, esses encontros com a nossa criança... Tão lindo, né? Tão saudoso, que dá vontade de agarrá-la e não soltar mais.
    Lindo, amo textos com essa temática!
    Beijos, Yo!

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  22. Nossa, Yohana, não sei nem por onde começar... Seu texto trouxe a nostalgia esperada, e também me reportou às minhas lembranças de cheiros e cores e brincadeiras e memórias... As crianças que nós fomos são felizes, pois têm esse lugar mágico para existir e não precisam estar no mundo de hoje.

    Lindo, lindo texto!

    Bjs!

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  23. Olá, vim aqui agradecer sua
    visitinha no meu blog passei um bom tempo
    sem entrar, me desculpa a demora!
    Obrigada pelo carinho, fico feliz pelas palavras!
    Beijos e fique com Deus*

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  24. Nossa!

    Eu quem fiquei mais que encantada com tuas palavras.

    A criança sempre existirá dentro de nós e a saudade desse tempo, levaremos com doçura para sempre.

    Muito bem-vinda no meu cantinho!

    Te sigo para não perder de vista. Amei!!!

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  25. Primeira visita por aqui e gostei bastante... Texto gostoso e cheio de lembranças maravilhosas! Vai me visitar: www.coloridoempb.blogspot.com

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  26. Olá :)
    Ah,lembrei de quando eu era criança...eu era feliz e não sabia :(

    Beijos e tudo de bom

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  27. Que postagem linda, Yohana, tão meiga, terna!

    Minha memória olfativa também me proporciona sensações incríveis de viagem no tempo, fecho os olhos e revivo os momentos que me marcaram.

    Adorei!

    Um beijo.

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  28. Minha infância tem o cheiro do perfume e dos bolos da vovó. Que saudade de quando eu ainda a tinha.

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  29. Ei, mais que saudade daqui. Sempre conseguindo me conquistar, Yohana? Muitas nostalgias, muitas mesmo. Vale à pena ser lido e comentado. ^^ Bem, eu sou a dona do Eppifania. Andei meio desativada, mas estou voltando com força total. Espero contar com sua presença e críticas. O Blog ainda está em tempo de reformas, mas sempre é bom uma dicazinha, não é? Te espero lá, posso contar com a sua presença? Beijão.

    http://eppifania.blogspot.com/

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  30. Olha.... Meu desenho. *-*
    Adorei o texto.

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