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quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Uma perspectiva negra sobre a Literatura: a primeira romancista brasileira

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Você sabe quem foi Maria Firmina dos Reis? Eu também não sabia, nunca tinha ouvido falar o nome dela até dois meses atrás, quando estava em um encontro do clube de leitura Leia Mulheres daqui de SP.

Maria Firmina dos Reis, mulher negra, afro-descendente e bastarda, nasceu no Maranhão em 1825. Publicou em 1859 o primeiro romance abolicionista do Brasil, intitulado “Úrsula”, que retrata a sociedade brasileira da época e toda violência do sistema em que era normal escravizar outras pessoas por sua cor de pele, além disso, o livro também questiona a legitimidade dessa ação, com presença marcante de elementos da tradição africana. Em 1887, auge da iminência da abolição da escravatura, a autora também escreveu o conto “A Escrava”, em que reitera sua postura antiescravista.

Tendo em vista que a escravidão no Brasil durou de 1530 a 1888, quase quatrocentos anos, Maria Firmina foi uma mulher que escreveu no período da escravidão e se ainda é difícil para as mulheres negras escreverem, serem publicadas e lidas atualmente, imagine o quão difícil era no século XIX, em que além da limitação de ser mulher, a submissão imposta em uma sociedade patriarcal, o preconceito racial se fazia presente. Por isso, a autora usou o pseudônimo “Uma Maranhense” em sua primeira publicação. No prólogo, é explicitado que o ato de escrever era predominantemente feito por homens brancos, ricos e com uma boa educação: "pouco vale este romance, porque escrito por uma mulher, e mulher brasileira, de educação acanhada e sem trato e conversação dos homens ilustrados".

Maria Firmina dedicou-se também ao magistério, foi professora de primeiras letras e chegou a abrir uma escola mista, que não existia na época e foi motivo de escândalo, sendo fechada pouco tempo depois.
Morreu em 1917, com 92 anos. Pode presenciar a Abolição da Escravatura, mas não viveu para ser reconhecida em vida, sua obra e a importância dela só foi descoberta na década de 1970 e ainda é pouco conhecida e estudada. Vamos divulgar e compartilhar essa informação para que mais pessoas saibam quem foi Maria Firmina dos Reis e a importância da sua obra.



Maria Ferreira é baiana e mora em São Paulo. Estudante de Letras e apaixonada por Literatura. É autora do blog Minhas impressões e colaboradora do blog Papel, palavra, coração. 

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quarta-feira, 2 de novembro de 2016

De onde estiver

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Começo a escrever dizendo que sim, eu sorri. O vidro do carro abaixou e o vento entrou pela janela, inundando o ar com a brisa gélida e reconfortante da maresia, e o cheiro da praia me fazia sentir como se nada mais importasse, nada mais machucasse.

A vida passa pelos nossos olhos e em demasia somos tão incapazes de nota-la, pior, incapazes de manuseá-la. Tão frágil, rápida e sorrateira. Deixamos escapar entre nossos dedos ligeiramente sem perceber por tanto tempo, anestesiados pela rotina desse cotidiano que castiga, força a criar expectativas e vontades que nunca tivemos afinal, mas que um quê ali e um quê aqui nos influencia a ter, e em momentos perdidos por ai, a intensidade assusta. No final, o que sobra é a realidade batendo a porta e nos questionando onde estamos, e os sonhos nos cobrando o que fazíamos que os deixamos esperando naquela mesa de café no nosso primeiro encontro.

Eu queria ter o controle, queria ver quando bem entendesse. Mas não. Por ai caminham eles, elas, você, que como eu, precisa que algo caia e estronde tão intensamente para que a realidade apareça, para que a vista desembace e veja o que realmente está se passando; onde está de fato a palavra felicidade, onde se deve concentrar tanta energia. Energia é tão preciosa, precisamos saber deposita-la. 

Enquanto o vento dava de encontro ao meu rosto e fazia os fios do meu cabelo debater-se contra meu rosto eu senti. Você me olhava de longe, bem ali onde gostava de sentar-se e ver o mar beijar a areia. O lugar que te fazia sentir-se livre de toda a rotina, onde colocava-se a pensar sempre que as coisas ficavam difíceis, de onde me fazia suas ligações e dizia que precisava da minha companhia para apreciar aquele espetáculo gratuito que era a natureza: "Olha, Bela, que bonito, e nem precisamos pagar pra ver. Eu poderia ficar aqui pra sempre."

E você ficou. 

E é hora de ir atrás. É tempo de sonhar, viver e fazer acontecer. Assim como você me ensinou. Dores são passageiras, e como já li por ai, às vezes é preciso ser sentida: ela também ensina. E de onde estiver agora, obrigada.

Ass. Sua bela.



Brunna Correia é paulistana, web designer e futura jornalista (ou roteirista). Ama a escrita, é autora do blog Brutwos e colaboradora do blog Papel, palavra, coração. 

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Novembro negro

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Tivemos o setembro amarelo, o outubro rosa e agora, por que não pensarmos em um novembro, além de azul, um novembro negro?

O setembro amarelo é um mês de conscientização para prevenção do suicídio, o outubro rosa é mês de conscientização sobre o câncer de mama e o novembro azul é o mês para conscientização da saúde do homem. Então fiquei pensando que como em novembro é comemorado o dia da Consciência Negra, por que não propor um mês inteiro de conscientização como é o caso dos outros?
Quando eu pensei isso, primeiro achei que estava viajando demais, que vocês, leitores, talvez não gostassem dessa ideia e que não curtiriam muito. Então pedi a opinião de alguns amigos e leitores que me acompanham nas redes sociais e fiquei feliz em ver que a ideia teve aceitação. Portanto, me digam vocês o que acham disso.
Penso que é preciso lembrar todos os dias o motivo de haver um dia no calendário para se comemorar o Dia da Consciência Negra. O dia 20 de novembro foi escolhido pelo Movimento Negro porque foi nesse dia que aconteceu a morte de Zumbi dos Palmares, o principal líder de um Quilombo, em 1695. O Quilombo dos Palmares foi um local de resistência dos negros contra a escravidão. Outro motivo para a escolha dessa data foi para manter a consciência de que a libertação dos escravos foi resultado de muita luta e resistência dos negros e não bondade de uma princesa branca.
A minha proposta é que nesse mês seja dada preferência para os livros escritos por pessoas negras ou que falem sobre negritude em um geral. Sejam razoáveis. Passamos uma vida inteira só lendo o que não foge muito do eixo Estados Unidos-Europa, um mês de inovação nas nossas leituras só tem a agregar.
Para isso, eu trago a indicação de algumas obras: 
“Quarto de despejo”, da Carolina Maria de Jesus; “Americanah”, da Chimamanda Ngozi Adichie; “Olhos d’água”, da Conceicção Evaristo; “A cor púrpura”, da Alice Walker e “Sobre a beleza”, da Zadie Smith.
Também peço indicações. Vamos fortalecer e socializar o conhecimento.


Maria Ferreira é baiana e mora em São Paulo. Estudante de Letras e apaixonada por Literatura. É autora do blog Minhas impressões e colaboradora do blog Papel, palavra, coração. 

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sexta-feira, 21 de outubro de 2016

A arte de brincar com a música e a fotografia

28 Comentários

Vivo de sonhos, desejos e planos.
Vivo de momentos, registros e contos.
Vivo de modo leve, como a música que os versos rege.
A fotografia me traz sintonia. A música, acompanha a coreografia.
E o coração fica em calmaria.

Sim, sou apaixonada por música e fotografia! Amo como posso encaixar perfeitamente os versos de uma canção e uma coisa que tenho paixão.

Sou daquelas que pensa numa foto, já prevendo a legenda, os versos e como ela irá se encaixar na poesia.Gosto de transmitir por palavras coisas que vêm do coração.

A música não só me relaxa, como também me faz voltar nos momentos que vivi, nas coisas que senti. É como uma conexão! Ao longo dos últimos anos, percebo que tal sensação têm ficado mais aflorada. Por vezes me faltam palavras para transmitir o que sinto, penso e quero compartilhar. Mas ai lembro daquela canção, e daquela foto.

Certa vez, entendi que toda essa mistura de sensações, sentimos e pura sensibilidade condizia com uma das frases do fotógrafo americano Ansel Adams: “Não fazemos uma foto apenas com uma câmera; ao ato de fotografar trazemos todos os livros que lemos, os filmes que vimos, a música que ouvimos, as pessoas que amamos.”
E é exatamente isso! Somos feitos de momentos, somos um mix de emoções. Tudo que vivemos, compõe nossas sensações. É como diz uma das canções do Cantor e Compositor Leoni: “...o que vai ficar na fotografia, são os laços invisíveis que haviam..”

Seja com a música, pela fotografia, com os versos ou poesias, independente de como expressamos nossos sentimentos ao mundo, é o modo que nossa alma encontra de se comunicar. E se pararmos para pensar, existem versos de músicas que dizem exatamente tudo que esperamos da vida e tudo que sonhamos para nós.

Para ilustrar melhor essa reflexão, separei 2 fotos minhas e os versos que “desenham” exatamente a essência de cada momento vivido:


Pode ser o seu cabelo
Ou o jeito que você anda
Pode ser o seu apelo
Pelos burros de Miranda

Pode ser o sol da tarde
E essas coisas que ele traz
Dada a sua intensidade
Ou a calma do meu mundo...”
Pode Ser – Banda do Mar


“...De modo que o meu espírito
Ganhe um brilho definido
Tempo Tempo Tempo Tempo
E eu espalhe benefícios
Tempo Tempo Tempo Tempo

O que usaremos pra isso
Fica guardado em sigilo
Tempo Tempo Tempo Tempo
Apenas contigo e comigo
Tempo Tempo Tempo Tempo...”
Oração Ao Tempo – Maria Gadú

E você? Também gosta de moldar a música com a fotografia?

Inspire-se, registre e crie! Transforma em arte o que vêm de dentro, só depende de você. :)



Patrícia Lourenço ou Pathy Lourenço, 30 anos, carioca, taurina. Administradora por formação e Pós-graduada em Gestão Estratégica por Processos, alimenta durante anos a paixão pelo mundo da maquiagem, beleza, moda e fotografia. Ama viajar e capturar a beleza, o encanto de cada lugar que passa e dos momentos que vive. A partir da ideia de amigos, recentemente criou o blog Beauté Clicks no Tumblr para divulgação dos seus trabalhos e hobbies. Futuramente, busca se especializar em cada um deles para expandir suas paixões à sua vida profissional.

Pathy Lourenço é colunista convidada do blog Papel, palavra, coração.
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quarta-feira, 19 de outubro de 2016

A publicação independente e sua acessibilidade

25 Comentários


 Nos últimos três anos, tempo que atuo como blogueira literária, tenho visto as dificuldades pelas quais um escritor nacional passa para ter um livro publicado e posteriormente, ter o livro vendido. Tais dificuldades se dão, dentre outras coisas, porque a concorrência internacional é muito grande. É injusto competir com alguém de fora e já conhecido. Principalmente porque se uma pessoa vai a uma livraria e vê um livro de um autor já conhecido e de um autor que nunca ouviu falar na vida, obviamente ela vai optar pela primeira opção. Porque ela se sente segura e não tem motivos para arriscar na compra de um livro escrito por alguém desconhecido. E isso quando é dada a alternativa da escolha, pois muitas vezes um livro nacional não tem muito destaque dentro das livrarias.

Tem crescido o número de autores nacionais que iniciam sua carreira literária de modo independente, o que é muito corajoso porque o risco de não vender é ainda maior tendo em vista todo o cenário do parágrafo acima, com o acréscimo de que sem o apoio de uma editora, todo o trabalho de marketing precisa ser feito pelo próprio autor, inclusive administrar a venda de seus livros pela internet. Mas, apesar de toda contrariedade, tenho visto que o mercado literário independente tem sido uma boa opção por um motivo importante: o autor tem maior liberdade de escolha quanto ao valor que paga para vender. Isso mesmo, o autor paga para vender seus livros. As livrarias cobram para deixar os livros nas prateleiras, cobram mais para deixar o livro em um lugar de maior destaque e visibilidade e cobram quando um autor vai fazer o lançamento de seu livro lá. Muitas vezes, a porcentagem em cima das vendas dos livros que é voltada para o escritor, é menos que cinquenta por cento, ou seja, ele sai muito no prejuízo. Uma alternativa que talvez seja mais vantajosa é participar de feiras literárias. Há ainda o fator “pagar para vender”, mas mesmo assim, a maior parte do “lucro” na venda nos livros fica com o autor.

Os escritores escrevem por amor? Escrevem por amor. Mas não sejamos ingênuos, eles também escrevem porque querem ganhar algum dinheiro com isso, se não quisessem, os livros não seriam vendidos, seriam dados de graça. O autor que publica de modo independente tem em mente que não vai ganhar milhões do dia para a noite, que é um trabalho, por vezes árduo, cansativo, inicialmente pouco rentável, mas muito recompensador no sentido de saber que a história que ele escreveu tocou as pessoas e modificou a realidade delas de alguma forma. Por isso, é importante fortalecermos a literatura nacional e independente, frequentarmos feiras literárias, comprarmos diretamente com ao autor pela internet. Não estaremos só comprando livros, estaremos contribuindo para a construção de um mercado literário mais justo.



Maria Ferreira é baiana e mora em São Paulo. Estudante de Letras e apaixonada por Literatura. É autora do blog Minhas impressões e colaboradora do blog Papel, palavra, coração.

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quinta-feira, 13 de outubro de 2016

Olho no olho

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Olho no olho. Suor sobre a pele, sol escaldante. Meus ombros ardiam, minhas pernas pediam abrigo. Eu só queria meu quarto, meu refúgio.

Viajei 150km para te ouvir que já era tarde demais. Tarde demais para os planos, para a casa de campo naquela cidadezinha que tanto amávamos passar os feriados com nossas famílias, e onde dizíamos empolgados que repousaríamos quando já cansados da vida maluca da cidade, onde nossos netos nos visitariam e passariam horas correndo pela casa enquanto ouvíamos suas risadas ecoando pelos corredores. Tarde demais para nossas aventuras futuras, tarde demais para um eu te amo, tarde demais para repetir as promessas que fizemos no último baile do colegial. Tarde mais para nós. 

Seu olhar caiu sobre o meu quando o meu já distanciava-se de suas mãos afastando meus braços que famintos foram em busca do seu abraço. Que saudade que eu estava de sentir seu calor, suas mãos geladas pousando sobre minhas costas nuas sob sois e sois pelos quais passamos. Sua pupila dilatou tão rapidamente ao encontrar meu olhar que quase pude desvendar todos os segredos da sua alma, todos aqueles que eu ainda desconhecia. 

Seus lábios moviam-se e eu encolhia a cada sílaba, estardalhaços de vidros ecoavam em minha mente, cada golpe me enfurecia, entristecia. Todas as fantasias que um dia criamos juntos desmoronaram. Eu quis chorar, mas prendi as lágrimas como se minha vida depende-se daquilo. Existiam palavras, mas você não a quis ouvir. Lembra que você disse que eu precisava ser mais durona? A hora seria agora. Fechei os olhos e virei de costas.

Eu fiz minha escolha, você a sua. Você estava na minha, mas eu não estava na sua. Isso me bastava.



Brunna Correia é paulistana, web designer e futura jornalista (ou roteirista). Ama a escrita, é autora do blog Brutwos e colaboradora do blog Papel, palavra, coração. 

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sexta-feira, 7 de outubro de 2016

Night crawler

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Mais uma noite que vem. E junto com ela esse cheiro de tudo que mais gosto.
Vida. Liberdade. Libertinagem.
As calçadas se enchem com passos ora apressados, ora hesitantes, vacilos, tropeços, escorregões. Tantas possibilidades que me cabe somente ficar aqui, olhando, apreciando, querendo sempre mais.
Busco uma calçada onde poucos vão me notar para pode fazer justamente o que não fazem: me prender aos detalhes.
A moça que passa preocupada gritando com o celular, o jovem que ajeita o cabelo que não parece ter jeito, o casal que emana amor e até provoca um pouco quem está ao redor.
A roupa desfiada, a risada despreocupada, a bufada desinteressada.
É tanto ao mesmo tempo que me perco pensando em possibilidades e o tempo se vai.
O anoitecer vira madrugada, as passadas ficam escassas, se esvaziam as calçadas, e lá volto eu pra casa. Tentando a sorte de chegar despercebido, para garantir mais uma vez a possibilidade da visita às calçadas uma vez mais.
A vida é feita de acasos, e eu dependo deles para não ser chutado por aí.
Essas ruas de paralelepípedo não tornam a caminhada nada mais fácil, com seus entremeios e histórias.
Talvez por isso me arrasto, me afasto, me destrato.
Nem sempre é fácil ser tão diminuto.
Nem sempre é fácil viver pelos dutos.

***

Leio desde que me entendo por gente e escrevo desde que comecei a me entender como gente de fato. Começou como uma maneira de esvaziar a cabeça, mas hoje em dia é algo que não consigo mais viver sem. Dois dias sem escrever o que seja é como um machucado que demora mais que o normal pra cicatrizar e volta a incomodar. Um livro, quem sabe um dia?

Hygor Lessa é formado em Letras, autor do blog Textos e mais textos e colunista convidado do blog Papel, palavra, coração.

Confira aqui outros textos de sua autoria:



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quarta-feira, 5 de outubro de 2016

O lugar das escritoras negras na Literatura

43 Comentários
Fonte da Imagem: Jornal GGN

Por muito tempo acreditou-se que o lugar da mulher era dentro de casa, esquentando a barriga no fogão e esfriando na pia. Depois de muitas lutas e conquistas, hoje em dia lugar de mulher é onde ela quiser estar. Mas tenho um questionamento quanto a isso: E se a mulher quiser estar no meio literário, será que ela pode? A resposta certamente é afirmativa, mas faço questão de levantar alguns pontos que são incoerentes com essa resposta, como por exemplo, haver eventos literários que homenageiam mulheres, mas são homens os convidados para falaram sobre elas ou mediarem a mesa em que elas estarão presentes. Ou mulheres preferirem assinar seus livros de forma abreviada, porque elas sabem que o leitor vai pensar que foi escrito por um homem e desse modo, aumentar suas chances de venda. Parece absurdo, mas foi o que aconteceu com a J.K Rowling e é o que ainda acontece no Brasil.

Outro fato é já ter havido 112 edições do Prêmio Nobel de Literatura, um dos mais importantes do meio literário, se não o mais importante, mas adivinhem em quantas dessas edições mulheres foram premiadas... em apenas 14, das quais há apenas uma ganhadora negra, o que evidencia além da presença do machismo, o racismo no meio literário. Essa autora negra é a Toni Morrison. Ela ganhou o Nobel em 1993 e em seus livros há a representação de mulheres negras nos Estados Unidos nos dois séculos anteriores ao XXI.

Apesar das mulheres terem conquistado seu espaço no cenário literário atual, ainda é marginalizado o espaço que as escritoras têm na Literatura e essa marginalização é ampliada se a escritora for negra. E para quem continua não acreditando que o racismo se dá também no meio literário, peço que me falem o nome de todas as autoras nacionais negras que vocês conhecem e depois me falem o nome de todas as autoras nacionais brancas. Qual está em maior número? Reflitam.


E por que isso se dá? O meu palpite é porque é uma construção histórica. Enquanto as mulheres brancas estavam escrevendo e publicando seus livros, as negras estavam fazendo o trabalho doméstico. Mas quando as negras foram libertas, elas viram que também podiam ser escritoras e foram em busca de realizar esse desejo. Ainda hoje, muitas oportunidades nos sãos negadas, mas estamos cada vez mais ocupando espaços que também são nossos e que temos direito.


Maria Ferreira é baiana e mora em São Paulo. Estudante de Letras e apaixonada por Literatura. É autora do blog Minhas impressões e colaboradora do blog Papel, palavra, coração.

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segunda-feira, 3 de outubro de 2016

Com vocês: as nossas colaboradoras! ❤️

35 Comentários

Há algum tempo vinha pensando em novidades aqui para o blog PAPEL, PALAVRA, CORAÇÃO. Uma delas seria expandir as publicações que até então só traziam minhas crônicas e poesias. Por isso, desde o nosso retorno trouxe pra cá também a tag VIDA DE AUTORA, com as novidades da minha rotina literária; a tag VIDA DECACHEADA, em parceria com a ilustradora querida e talentosíssima Graziela Andrade, para dividirmos com vocês experiências nos cuidados com os cachinhos; a tag SETE com sete dicas/tópicos/motivos/razões e tudo mais que fizer o nosso coração bater mais forte por músicas, livros, autores, lugares e coisinhas incríveis; além da tag DO BLOG AOLIVRO, com dicas para quem gostar de escrever e sonha em  publicar um livro. 

Todas essas novidades têm sido bem aceitas e eu agradeço e deixo um sorriso aqui por isso. Mas eu queria mais. E para fazer mais e melhor e ainda levar as nossas publicações para mais olhinhos e corações, eu não poderia estar sozinha. Foi aí então que lancei uma seleção de colaboradores para o blog, através do facebook. 
A seleção foi linda e bem difícil, pois recebi mais de 40 ótimos interessados, entre autores, blogueiros e pessoas que simplesmente amam ler e escrever. Maaaas... Só tínhamos duas vagas e na semana passada chegamos às nossas selecionadas. 

Conheçam agora as novas colaboradoras do Papel, palavra, coração: 
Maria Ferreira e Brunna Correia!

Maria é blogueira e tem 20 anos. Nasceu na Bahia, mas mora em São Paulo desde os oito. Começou um blog com o desejo de ajudar a divulgar a Literatura nacional e como uma forma de interagir com outras pessoas que tem a mesma paixão pelos livros e pela Literatura. 

"Gosto de escrever sobre assuntos que me contemplam, como por exemplo a representação do negro na literatura.", conta a blogueira, que já escreveu poemas quando era mais nova, mas ultimamente tem se dedicado só a textos não-ficcionais. 

Nas horas livres gosta de ler, andar de bicicleta e descansar. Suas paixões são estudar, ler e estar com os amigos. Ela tem como referência literária a autora nigeriana, Chimamanda Ngozi Adichie e preferência por livros nacionais. (Eu também, Maria, eu também! rs

Seus estudos também parecem se confundir com as paixões:
"Sou estudante de Letras com habilitação em Espanhol, o que me permite estudar a Literatura de um modo mais acadêmico, mas já quis cursar Biblioteconomia só porque pensava que meu trabalho seria passar os dias lendo." 

Para o nosso blog, Maria promete trazer só lindezas: textos sobre a Literatura nacional, independente, Literatura negra, além de dicas de livros.

Vocês encontram a Maria no Facebook, Instagram e no Twitter, além do seu blog Minhas Impressões.


Brunna nasceu em São Paulo capital, tem 21 anos e sempre sente que parou nos 18. (Pode acreditar, Bruna. Eu te entendo!rs) É analista web designer, mas planeja para um futuro bem próximo ingressar na área de jornalismo ou cinema e diz que se tem palavras que fazem seus olhos brilharem além de "escrita" e "livros", são essas duas. Nas horas livres gosta de ler, escrever, assistir séries, navegar na web buscando inspirações em blog e canais que acompanha, além de andar pela cidade, especialmente na Avenida Paulista, que é um lugar que a inspira e motiva de um modo que não consegue explicar, apenas sentir.
Sua paixão não é segredo pra quem a conhece: a escrita. 

"Eu acho que respiro isso, tanto é que, pela falta de tempo, fiquei sem escrever e a sensação foi a mesma que falta de ar (haha) não deseja isso a ninguém!", diz Brunna, que ama livros de aventura e romance, e conta que primeira leitura foi a saga Harry Potter, pela qual é apaixonada até hoje, tendo inclusive a obra como motivação, já que começou a escrever depois que começou a série.

Brunna escreve desde os onze anos, mas quando criança arriscava criar uns livrinhos ilustrados e dizia que eram seus livros. E foi pelos doze que escreveu seu primeiro blog, começou a escrever um livro, e nunca mais parou. Se descobriu na escrita. 
Sobre os livros, ela conta que ainda não os finalizou, mas não vai demorar muito agora que veio pra ficar. 
 "Escrever é apenas minha vida!", finaliza a blogueira. 

Nem preciso dizer que teremos textos lindos dela aqui no blog Papel, palavra, coração, não é? Esperem por temas do cotidiano através de contos e crônicas.

Seu blog é o Brutwos e vocês também a encontram no Facebook, no Twitter e no Snap e Instagram é só procurar por @brutwos.


Além das nossas colaboradoras Maria e Brunna, o blog Papel, palavra, coração também receberá como convidados, outros blogueiros e autores que participaram da nossa seleção. São eles:
 Hygor Lessa, do blog Textos e mais textos; Katia Soares, do blog Poesias da KahJoão Ximenes, da Fan page Alma despida, Renata Stuart, do blog Atelier das palavras, 
além de apaixonadas por leitura e escrita como a Lena Santos, Pathy Lourenço, Jaqueline Oliveira, Janaina Leal e Luisa Castro!

Então, você já sabe! Cola no Papel, palavra, coração porque vai ter muita coisa nova e linda por aqui! 
Espero que gostem! 

Beijos,
Yohana Sanfer


Yohana Sanfer tem 32 anos, é escritora, autora do blog "Papel, palavra, coração", autora  dos livros "Da boca pra dentro",  
"É de menino, é de menina"  e criadora da livraria virtual Sanfer Livros.   
                                                        
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