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quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Se (des)encontra

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Você sai e bate a porta.

Existe um coração cheio de incertezas sobre a vida adiante, mais uma certeza que se apresentou à sua frente, após estapeá-la até implorar por compaixão. Ele não é pra você. Não agora, talvez um dia, ou nunca. Não vai esperá-lo, pois  foram tantas as vezes que se esbarraram na rua, faculdade, naquela balada vazia de sexta à noite após um longo dia em frente ao computador no serviço; a badalação que lhe proporcionaria relaxar ao som de umas músicas que você nem ao menos gosta, ou aquela pela qual é apaixonada. E ele iria chegar e te pagar uma bebida, ou então conversar por um tempo e dizer que faria a noite na pista valer a pena. No dia seguinte você mandaria mensagem e depois de tantas vezes observar a última visualização receberia: “Alice da onde?”. Tapa na cara, black out no coração.
Ele é o cara que te conquista com o olhar, com o jeito manso de se chegar. Aquela voz no pé do ouvido dizendo tudo o que você, no fundo, sonha em ouvir desde que sonhou com o amor ao vê-lo pela primeira vez num filme meloso qualquer. Ele te pega pela cintura e leva até o meio da pista. Não existe mais o momento em que você passa o braço envolta do pescoço dele, deita em seu ombro e vocês movimentam-se devagar ao ritmo de uma balada romântica. Isso é passado, inadequado, “careta”, como o ouviu dizer quando comentou seu breve devaneio numa noite qualquer. Existe a música agitada que os fazem sorrir olhando um para o outro num puro jogo de sedução enquanto se balançam para lá e pra cá no meio da multidão. Você está descarregando seu cansaço, buscando euforia, quer deixar suas horas em casa escorregarem no balcão do bar e na pista. O que vale a pena afinal?
E então você para, e a questão de que ele pode ser o homem da sua vida não quer calar. E você deixa que ele seja seu durante aquela festa, e você dele. Vez ou outra ele diz que vai ao banheiro, ou buscar uma bebida para vocês. Ele volta e diz que esqueceu no balcão, e você tomada por aqueles olhos que refletem o futuro, balança a cabeça e o deixa sair novamente, voltando com um sorrisinho malicioso portando uma bebida qualquer que pediu para o cara do bar escolher. Bom, ao menos ele pagou a comanda da desculpa esfarrapada.
Você o vê no corredor da faculdade, ele acena e você entra na sala. O professor fala enquanto você imagina o final de semana prometido nas mensagens da manhã. Mas a promessa daquele filme não é cumprida, e o final de semana em boa (má) companhia não chega. E você percebe que matou aula inconscientemente imaginando algo não sólido, culpa sua? Não, de ambos. Os dois que não deixaram claro o que acontecia ali, e talvez tenha desgastado todo aquele quase que consiste em dois silêncios. Se houvesse conversa, sim, ele diria que era curtição, e você sairia fora, porque se quisesse algo passageiro, ficaria com aquele da balada que nunca mais veria na vida, que se aproximou quando ele saiu para pegar uma bebida.

Brunna Correia é paulistana, web designer e futura jornalista (ou roteirista). Ama a escrita, é autora do blog Brutwos e colaboradora do blog Papel, palavra, coração. 

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quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

A importância do trabalho conjunto entre blogueiros e autores

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Já é sabido que autores independentes precisam trabalhar quase que o dobro para obterem reconhecimento e boas vendas. Têm que divulgar, estar presente em feiras literárias, administrar as redes sociais, enviar os livros pelos Correios, trabalhar, ter uma vida e ainda arrumar tempo para escrever.

A parceria com blogueiros literários faz com que a parte da divulgação seja dividida de modo a ser intensificada, uma vez que ele não precisa mais divulgar sozinho. Poder contar com pessoas que se dispõe a divulgar seu trabalho facilita muito a vida de um autor. E junto com a divulgação vem o reconhecimento, o aumento do número de vendas e uma certa folga para que possa investir seu tempo em outras coisas.

Há muitas editoras que acreditam e confiam no trabalho do blogueiro, o autor ir nesse mesmo movimento é reconhecer que o blogueiro realmente desempenha um trabalho importante na divulgação de livros. E eu digo trabalho porque ainda que não seja remunerado, há um investimento de tempo, ele poderia estar fazendo qualquer outra coisa, mas está lendo um livro atentamente para fazer uma boa resenha. Particularmente, acho até que o autor ganha mais do que o blogueiro nessa troca, mas independentemente de quem ganha mais ou menos, o que é inegável é a importância dessa parceria para ambos os lados. Os dois lados saem ganhando de alguma forma: O autor, pelos motivos já citados anteriormente e o blogueiro, ganha mais acessos no blog, divulgação de seu trabalho, reconhecimento e até mais seguidores.

Além de todas essas questões de trocas profissionais, há também a possibilidade de construção de uma amizade. O legal mesmo é essa troca e não esquecer nunca que se está lindando com pessoas acima de tudo.


Maria Ferreira é baiana e mora em São Paulo. Estudante de Letras e apaixonada por Literatura. É autora do blog Minhas impressões e colaboradora do blog Papel, palavra, coração. 

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quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

Faça um pedido

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Ei! você viu? Pois eu vi. Ela deslizou rápido e caiu como num mergulho.

Você me olha todo sem entender o porquê dos meus olhos brilharem tanto, aperta minha mão esquerda e pede uma resposta naquele modo leve de querer me incentivar a algo. Nada falo, só o observo. Não quero perder o momento, não quero perder suas pupilas oscilando na expectativa da espera, não quero perder cada detalhe do seu rosto enquanto faço meu pedido. Garoto, aguenta aí que esse vai além dos que fazemos quase que diariamente em nossa mania de cair o olhar sobre o relógio meia noite.

A estrela caiu, o pedido feito. Você questiona o que eu pedi logo após minha resposta à pergunta anterior e digo que uma estrela cadente caiu bem a suas costas. “Que falta de sorte”, você resmunga e então ergo seu queixo e me deleito nos olhos azuis, verdes, cinza, de tantas cores que até hoje não o decifrei:

"Não fala assim." Eu lembro a primeira vez em que te vi. Você irradiava uma luz que era bonita de se ver, confesso que quis te abraçar quando seu sorriso me observou de longe, mas eu me contive em usufruir da minha própria luz. Eu lembro que naquela época éramos o que queríamos: você em liberdade total, eu no meu interior onde ninguém podia dizer nada: onde eu realmente podia ser sem interrupções. Aproveitamos. E então nos esbarramos de novo, e dessa vez eu também quis te abraçar.

Seu sorriso me lembra a jovialidade que eu sentia mais falta quando você me trouxe pra sua vida. Sua luz iluminou minha escuridão e no momento em que você segurou minhas mãos eu simplesmente segurei as suas e não quis soltar, e um tempo depois eu soube que você também não. Eu fiz um pedido há um tempo atrás, e agora só estou agradecendo por ter sido ouvida. Eu dizia aos quatro cantos que não tinha sorte, e olha só: qual é a chance de esbarramos na mesma pessoa que nos sentimos conectadas há anos atrás sem um mínimo de contato de modo tão improvável como nos aconteceu?

Na verdade a sorte nos acontece quando menos esperamos por ela, nos diversos campos da vida, só basta seu coração desejar aquilo, sem dia, hora ou lugar: Ela acontece. E espera, olha ali, outra estrela.

Faça um pedido.


Brunna Correia é paulistana, web designer e futura jornalista (ou roteirista). Ama a escrita, é autora do blog Brutwos e colaboradora do blog Papel, palavra, coração. 

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segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

~As melhores coisas não são coisas

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~ cheiro de mato • cheiro de chuva • barulho do vento • vento no rosto • notícia boa • abraço abrigo • banho de cachoeira • banho de chuva • sorriso largo • olhar que responde tudo • visita de borboleta • canto de passarinho • uma mensagem respondida • pés descalços • sintonia • uma lua cheia • um céu estrelado • um por do sol • o som do mar • o som do coração • uma homenagem • um encontro emocionado • aquele beijo • aquela voz que acalma • música alta • mãos dadas • um novo caminho • um passo à frente • uma surpresa boa • choro feliz • bons sentimentos • a companhia perfeita • a pele arrepiada • a vista de uma pedra alta • um gosto bom • um dia feliz • boas energias • palavra de amigo • colo de mãe • carinho de vó • saudade extinta • dor superada • uma viagem inesquecível • uma lembrança que faz sorrir • um sim • um chão florido • um cenário colorido • fé renovada • dançar junto • soprar uma flor dente de leão • a vida simples • o quintal da infância • o cheiro de uma saudade • nuvens de algodão • uma paisagem bonita • uma tarde nublada • uma conquista • fazer o bem • o amor • a liberdade • a gratidão • um sonho realizado • a presença de Deus. 


***


Yohana Sanfer tem 32 anos, é escritora, autora do blog "Papel, palavra, coração", autora  dos livros "Da boca pra dentro", "É de menino, é de menina"  e criadora da livraria virtual Sanfer Livros.   
                                                        
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quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Uma perspectiva negra sobre a Literatura: a primeira romancista brasileira

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Você sabe quem foi Maria Firmina dos Reis? Eu também não sabia, nunca tinha ouvido falar o nome dela até dois meses atrás, quando estava em um encontro do clube de leitura Leia Mulheres daqui de SP.

Maria Firmina dos Reis, mulher negra, afro-descendente e bastarda, nasceu no Maranhão em 1825. Publicou em 1859 o primeiro romance abolicionista do Brasil, intitulado “Úrsula”, que retrata a sociedade brasileira da época e toda violência do sistema em que era normal escravizar outras pessoas por sua cor de pele, além disso, o livro também questiona a legitimidade dessa ação, com presença marcante de elementos da tradição africana. Em 1887, auge da iminência da abolição da escravatura, a autora também escreveu o conto “A Escrava”, em que reitera sua postura antiescravista.

Tendo em vista que a escravidão no Brasil durou de 1530 a 1888, quase quatrocentos anos, Maria Firmina foi uma mulher que escreveu no período da escravidão e se ainda é difícil para as mulheres negras escreverem, serem publicadas e lidas atualmente, imagine o quão difícil era no século XIX, em que além da limitação de ser mulher, a submissão imposta em uma sociedade patriarcal, o preconceito racial se fazia presente. Por isso, a autora usou o pseudônimo “Uma Maranhense” em sua primeira publicação. No prólogo, é explicitado que o ato de escrever era predominantemente feito por homens brancos, ricos e com uma boa educação: "pouco vale este romance, porque escrito por uma mulher, e mulher brasileira, de educação acanhada e sem trato e conversação dos homens ilustrados".

Maria Firmina dedicou-se também ao magistério, foi professora de primeiras letras e chegou a abrir uma escola mista, que não existia na época e foi motivo de escândalo, sendo fechada pouco tempo depois.
Morreu em 1917, com 92 anos. Pode presenciar a Abolição da Escravatura, mas não viveu para ser reconhecida em vida, sua obra e a importância dela só foi descoberta na década de 1970 e ainda é pouco conhecida e estudada. Vamos divulgar e compartilhar essa informação para que mais pessoas saibam quem foi Maria Firmina dos Reis e a importância da sua obra.



Maria Ferreira é baiana e mora em São Paulo. Estudante de Letras e apaixonada por Literatura. É autora do blog Minhas impressões e colaboradora do blog Papel, palavra, coração. 

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quarta-feira, 2 de novembro de 2016

De onde estiver

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Começo a escrever dizendo que sim, eu sorri. O vidro do carro abaixou e o vento entrou pela janela, inundando o ar com a brisa gélida e reconfortante da maresia, e o cheiro da praia me fazia sentir como se nada mais importasse, nada mais machucasse.

A vida passa pelos nossos olhos e em demasia somos tão incapazes de nota-la, pior, incapazes de manuseá-la. Tão frágil, rápida e sorrateira. Deixamos escapar entre nossos dedos ligeiramente sem perceber por tanto tempo, anestesiados pela rotina desse cotidiano que castiga, força a criar expectativas e vontades que nunca tivemos afinal, mas que um quê ali e um quê aqui nos influencia a ter, e em momentos perdidos por ai, a intensidade assusta. No final, o que sobra é a realidade batendo a porta e nos questionando onde estamos, e os sonhos nos cobrando o que fazíamos que os deixamos esperando naquela mesa de café no nosso primeiro encontro.

Eu queria ter o controle, queria ver quando bem entendesse. Mas não. Por ai caminham eles, elas, você, que como eu, precisa que algo caia e estronde tão intensamente para que a realidade apareça, para que a vista desembace e veja o que realmente está se passando; onde está de fato a palavra felicidade, onde se deve concentrar tanta energia. Energia é tão preciosa, precisamos saber deposita-la. 

Enquanto o vento dava de encontro ao meu rosto e fazia os fios do meu cabelo debater-se contra meu rosto eu senti. Você me olhava de longe, bem ali onde gostava de sentar-se e ver o mar beijar a areia. O lugar que te fazia sentir-se livre de toda a rotina, onde colocava-se a pensar sempre que as coisas ficavam difíceis, de onde me fazia suas ligações e dizia que precisava da minha companhia para apreciar aquele espetáculo gratuito que era a natureza: "Olha, Bela, que bonito, e nem precisamos pagar pra ver. Eu poderia ficar aqui pra sempre."

E você ficou. 

E é hora de ir atrás. É tempo de sonhar, viver e fazer acontecer. Assim como você me ensinou. Dores são passageiras, e como já li por ai, às vezes é preciso ser sentida: ela também ensina. E de onde estiver agora, obrigada.

Ass. Sua bela.



Brunna Correia é paulistana, web designer e futura jornalista (ou roteirista). Ama a escrita, é autora do blog Brutwos e colaboradora do blog Papel, palavra, coração. 

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Novembro negro

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Tivemos o setembro amarelo, o outubro rosa e agora, por que não pensarmos em um novembro, além de azul, um novembro negro?

O setembro amarelo é um mês de conscientização para prevenção do suicídio, o outubro rosa é mês de conscientização sobre o câncer de mama e o novembro azul é o mês para conscientização da saúde do homem. Então fiquei pensando que como em novembro é comemorado o dia da Consciência Negra, por que não propor um mês inteiro de conscientização como é o caso dos outros?
Quando eu pensei isso, primeiro achei que estava viajando demais, que vocês, leitores, talvez não gostassem dessa ideia e que não curtiriam muito. Então pedi a opinião de alguns amigos e leitores que me acompanham nas redes sociais e fiquei feliz em ver que a ideia teve aceitação. Portanto, me digam vocês o que acham disso.
Penso que é preciso lembrar todos os dias o motivo de haver um dia no calendário para se comemorar o Dia da Consciência Negra. O dia 20 de novembro foi escolhido pelo Movimento Negro porque foi nesse dia que aconteceu a morte de Zumbi dos Palmares, o principal líder de um Quilombo, em 1695. O Quilombo dos Palmares foi um local de resistência dos negros contra a escravidão. Outro motivo para a escolha dessa data foi para manter a consciência de que a libertação dos escravos foi resultado de muita luta e resistência dos negros e não bondade de uma princesa branca.
A minha proposta é que nesse mês seja dada preferência para os livros escritos por pessoas negras ou que falem sobre negritude em um geral. Sejam razoáveis. Passamos uma vida inteira só lendo o que não foge muito do eixo Estados Unidos-Europa, um mês de inovação nas nossas leituras só tem a agregar.
Para isso, eu trago a indicação de algumas obras: 
“Quarto de despejo”, da Carolina Maria de Jesus; “Americanah”, da Chimamanda Ngozi Adichie; “Olhos d’água”, da Conceicção Evaristo; “A cor púrpura”, da Alice Walker e “Sobre a beleza”, da Zadie Smith.
Também peço indicações. Vamos fortalecer e socializar o conhecimento.


Maria Ferreira é baiana e mora em São Paulo. Estudante de Letras e apaixonada por Literatura. É autora do blog Minhas impressões e colaboradora do blog Papel, palavra, coração. 

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sexta-feira, 21 de outubro de 2016

A arte de brincar com a música e a fotografia

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Vivo de sonhos, desejos e planos.
Vivo de momentos, registros e contos.
Vivo de modo leve, como a música que os versos rege.
A fotografia me traz sintonia. A música, acompanha a coreografia.
E o coração fica em calmaria.

Sim, sou apaixonada por música e fotografia! Amo como posso encaixar perfeitamente os versos de uma canção e uma coisa que tenho paixão.

Sou daquelas que pensa numa foto, já prevendo a legenda, os versos e como ela irá se encaixar na poesia.Gosto de transmitir por palavras coisas que vêm do coração.

A música não só me relaxa, como também me faz voltar nos momentos que vivi, nas coisas que senti. É como uma conexão! Ao longo dos últimos anos, percebo que tal sensação têm ficado mais aflorada. Por vezes me faltam palavras para transmitir o que sinto, penso e quero compartilhar. Mas ai lembro daquela canção, e daquela foto.

Certa vez, entendi que toda essa mistura de sensações, sentimos e pura sensibilidade condizia com uma das frases do fotógrafo americano Ansel Adams: “Não fazemos uma foto apenas com uma câmera; ao ato de fotografar trazemos todos os livros que lemos, os filmes que vimos, a música que ouvimos, as pessoas que amamos.”
E é exatamente isso! Somos feitos de momentos, somos um mix de emoções. Tudo que vivemos, compõe nossas sensações. É como diz uma das canções do Cantor e Compositor Leoni: “...o que vai ficar na fotografia, são os laços invisíveis que haviam..”

Seja com a música, pela fotografia, com os versos ou poesias, independente de como expressamos nossos sentimentos ao mundo, é o modo que nossa alma encontra de se comunicar. E se pararmos para pensar, existem versos de músicas que dizem exatamente tudo que esperamos da vida e tudo que sonhamos para nós.

Para ilustrar melhor essa reflexão, separei 2 fotos minhas e os versos que “desenham” exatamente a essência de cada momento vivido:


Pode ser o seu cabelo
Ou o jeito que você anda
Pode ser o seu apelo
Pelos burros de Miranda

Pode ser o sol da tarde
E essas coisas que ele traz
Dada a sua intensidade
Ou a calma do meu mundo...”
Pode Ser – Banda do Mar


“...De modo que o meu espírito
Ganhe um brilho definido
Tempo Tempo Tempo Tempo
E eu espalhe benefícios
Tempo Tempo Tempo Tempo

O que usaremos pra isso
Fica guardado em sigilo
Tempo Tempo Tempo Tempo
Apenas contigo e comigo
Tempo Tempo Tempo Tempo...”
Oração Ao Tempo – Maria Gadú

E você? Também gosta de moldar a música com a fotografia?

Inspire-se, registre e crie! Transforma em arte o que vêm de dentro, só depende de você. :)



Patrícia Lourenço ou Pathy Lourenço, 30 anos, carioca, taurina. Administradora por formação e Pós-graduada em Gestão Estratégica por Processos, alimenta durante anos a paixão pelo mundo da maquiagem, beleza, moda e fotografia. Ama viajar e capturar a beleza, o encanto de cada lugar que passa e dos momentos que vive. A partir da ideia de amigos, recentemente criou o blog Beauté Clicks no Tumblr para divulgação dos seus trabalhos e hobbies. Futuramente, busca se especializar em cada um deles para expandir suas paixões à sua vida profissional.

Pathy Lourenço é colunista convidada do blog Papel, palavra, coração.
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quarta-feira, 19 de outubro de 2016

A publicação independente e sua acessibilidade

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 Nos últimos três anos, tempo que atuo como blogueira literária, tenho visto as dificuldades pelas quais um escritor nacional passa para ter um livro publicado e posteriormente, ter o livro vendido. Tais dificuldades se dão, dentre outras coisas, porque a concorrência internacional é muito grande. É injusto competir com alguém de fora e já conhecido. Principalmente porque se uma pessoa vai a uma livraria e vê um livro de um autor já conhecido e de um autor que nunca ouviu falar na vida, obviamente ela vai optar pela primeira opção. Porque ela se sente segura e não tem motivos para arriscar na compra de um livro escrito por alguém desconhecido. E isso quando é dada a alternativa da escolha, pois muitas vezes um livro nacional não tem muito destaque dentro das livrarias.

Tem crescido o número de autores nacionais que iniciam sua carreira literária de modo independente, o que é muito corajoso porque o risco de não vender é ainda maior tendo em vista todo o cenário do parágrafo acima, com o acréscimo de que sem o apoio de uma editora, todo o trabalho de marketing precisa ser feito pelo próprio autor, inclusive administrar a venda de seus livros pela internet. Mas, apesar de toda contrariedade, tenho visto que o mercado literário independente tem sido uma boa opção por um motivo importante: o autor tem maior liberdade de escolha quanto ao valor que paga para vender. Isso mesmo, o autor paga para vender seus livros. As livrarias cobram para deixar os livros nas prateleiras, cobram mais para deixar o livro em um lugar de maior destaque e visibilidade e cobram quando um autor vai fazer o lançamento de seu livro lá. Muitas vezes, a porcentagem em cima das vendas dos livros que é voltada para o escritor, é menos que cinquenta por cento, ou seja, ele sai muito no prejuízo. Uma alternativa que talvez seja mais vantajosa é participar de feiras literárias. Há ainda o fator “pagar para vender”, mas mesmo assim, a maior parte do “lucro” na venda nos livros fica com o autor.

Os escritores escrevem por amor? Escrevem por amor. Mas não sejamos ingênuos, eles também escrevem porque querem ganhar algum dinheiro com isso, se não quisessem, os livros não seriam vendidos, seriam dados de graça. O autor que publica de modo independente tem em mente que não vai ganhar milhões do dia para a noite, que é um trabalho, por vezes árduo, cansativo, inicialmente pouco rentável, mas muito recompensador no sentido de saber que a história que ele escreveu tocou as pessoas e modificou a realidade delas de alguma forma. Por isso, é importante fortalecermos a literatura nacional e independente, frequentarmos feiras literárias, comprarmos diretamente com ao autor pela internet. Não estaremos só comprando livros, estaremos contribuindo para a construção de um mercado literário mais justo.



Maria Ferreira é baiana e mora em São Paulo. Estudante de Letras e apaixonada por Literatura. É autora do blog Minhas impressões e colaboradora do blog Papel, palavra, coração.

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quinta-feira, 13 de outubro de 2016

Olho no olho

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Olho no olho. Suor sobre a pele, sol escaldante. Meus ombros ardiam, minhas pernas pediam abrigo. Eu só queria meu quarto, meu refúgio.

Viajei 150km para te ouvir que já era tarde demais. Tarde demais para os planos, para a casa de campo naquela cidadezinha que tanto amávamos passar os feriados com nossas famílias, e onde dizíamos empolgados que repousaríamos quando já cansados da vida maluca da cidade, onde nossos netos nos visitariam e passariam horas correndo pela casa enquanto ouvíamos suas risadas ecoando pelos corredores. Tarde demais para nossas aventuras futuras, tarde demais para um eu te amo, tarde demais para repetir as promessas que fizemos no último baile do colegial. Tarde mais para nós. 

Seu olhar caiu sobre o meu quando o meu já distanciava-se de suas mãos afastando meus braços que famintos foram em busca do seu abraço. Que saudade que eu estava de sentir seu calor, suas mãos geladas pousando sobre minhas costas nuas sob sois e sois pelos quais passamos. Sua pupila dilatou tão rapidamente ao encontrar meu olhar que quase pude desvendar todos os segredos da sua alma, todos aqueles que eu ainda desconhecia. 

Seus lábios moviam-se e eu encolhia a cada sílaba, estardalhaços de vidros ecoavam em minha mente, cada golpe me enfurecia, entristecia. Todas as fantasias que um dia criamos juntos desmoronaram. Eu quis chorar, mas prendi as lágrimas como se minha vida depende-se daquilo. Existiam palavras, mas você não a quis ouvir. Lembra que você disse que eu precisava ser mais durona? A hora seria agora. Fechei os olhos e virei de costas.

Eu fiz minha escolha, você a sua. Você estava na minha, mas eu não estava na sua. Isso me bastava.



Brunna Correia é paulistana, web designer e futura jornalista (ou roteirista). Ama a escrita, é autora do blog Brutwos e colaboradora do blog Papel, palavra, coração. 

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sexta-feira, 7 de outubro de 2016

Night crawler

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Mais uma noite que vem. E junto com ela esse cheiro de tudo que mais gosto.
Vida. Liberdade. Libertinagem.
As calçadas se enchem com passos ora apressados, ora hesitantes, vacilos, tropeços, escorregões. Tantas possibilidades que me cabe somente ficar aqui, olhando, apreciando, querendo sempre mais.
Busco uma calçada onde poucos vão me notar para pode fazer justamente o que não fazem: me prender aos detalhes.
A moça que passa preocupada gritando com o celular, o jovem que ajeita o cabelo que não parece ter jeito, o casal que emana amor e até provoca um pouco quem está ao redor.
A roupa desfiada, a risada despreocupada, a bufada desinteressada.
É tanto ao mesmo tempo que me perco pensando em possibilidades e o tempo se vai.
O anoitecer vira madrugada, as passadas ficam escassas, se esvaziam as calçadas, e lá volto eu pra casa. Tentando a sorte de chegar despercebido, para garantir mais uma vez a possibilidade da visita às calçadas uma vez mais.
A vida é feita de acasos, e eu dependo deles para não ser chutado por aí.
Essas ruas de paralelepípedo não tornam a caminhada nada mais fácil, com seus entremeios e histórias.
Talvez por isso me arrasto, me afasto, me destrato.
Nem sempre é fácil ser tão diminuto.
Nem sempre é fácil viver pelos dutos.

***

Leio desde que me entendo por gente e escrevo desde que comecei a me entender como gente de fato. Começou como uma maneira de esvaziar a cabeça, mas hoje em dia é algo que não consigo mais viver sem. Dois dias sem escrever o que seja é como um machucado que demora mais que o normal pra cicatrizar e volta a incomodar. Um livro, quem sabe um dia?

Hygor Lessa é formado em Letras, autor do blog Textos e mais textos e colunista convidado do blog Papel, palavra, coração.

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